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Márcio Campos: Das pistas virtuais para as reais

Apaixonado por automobilismo e com um talento nato, cresceu sonhando em um dia se tornar um piloto vitorioso. Enquanto a oportunidade não aparecia, se dedicou aos simuladores virtuais. Hoje, já desponta como um grande piloto também no automobilismo real.

Confira a entrevista com Márcio Campos, que nos conta um pouco da sua trajetória e a importância dos simuladores para um início de carreira avassalador.


PERFIL

Márcio Campos
25 anos
Mora em Farroupilha – RS
Simuladores:
LFS, rFactor, GTR2, Race07, netkarPro, iRacing
Categorias Reais:
2010 - Gaúcho de Marcas e Pilotos
2011 - Mercedes-Benz Grand Challege


ENTREVISTA

Blog Force Feedback: Conte-nos um pouco da sua trajetória no automobilismo real e virtual. Quando começou, por quais categorias passou e quais simuladores você já usou?

Márcio Campos: Bem, vamos começar pelo virtual. Comecei em 2005, quando comprei o volante Logitech Momo e me apaixonei pelo Live For Speed (LFS). No começo, apanhei até me acostumar a andar no virtual. Tomava 2 segundos, e não sabia o motivo, mas na época eu só estudava e tinha tempo de passar horas na frente do simulador.

Aí comecei a assistir os pilotos mais rápidos, analisar os WR`s, e assim fui melhorando. De tanto “fuçar”, comecei a entender muito de setup do LFS. Comecei a deixar os carros redondinhos para o meu estilo de pilotagem, e foi assim que consegui diversos títulos na LFSBR, que era uma Liga sensacional na época. Tínhamos um grupo de pilotos do mais alto nível. Fiz muitos amigos lá, e as corridas eram muito divertidas e empolgantes. As minhas melhores disputas até hoje com certeza foram no LFS. No inicio de 2008, cheguei a jogar um pouco, na GTRBrasil, o Race07, mas logo que saiu o iRacing, em julho de 2008, já adquiri o serviço e estou até hoje.

Já no automobilismo real, por meu pai ser piloto, acompanhava a equipe dele nas corridas e fui conhecendo o mundo do automobilismo real. O acompanhei de 2004 à 2006 (quando ele parou de correr). Tive a oportunidade de conhecer todos os autódromos do Brasil e, em algumas etapas, levava o público para uma volta rápida na pista. Entrei mesmo como piloto ano passado, no Gaúcho de Marcas e Pilotos; um campeonato com nível altíssimo de pilotagem, uma média de grid em torno de 50 carros, onde adquiri bastante experiência e fui campeão na categoria N (Novatos). Este ano, junto com meu pai, que voltou às pistas, resolvemos ir para uma categoria nacional, onde conseguiríamos oferecer um bom retorno de mídia aos patrocinadores. Escolhemos a Mercedes Benz Grand Challenge. Uma categoria nova e que obriga todas as equipes a ter desenvolver o carro do zero. Acredito que estamos no caminho certo, pois hoje somos líderes do campeonato.

FFB: Você há alguns anos utiliza o iRacing como simulador. Quais as principais vantagens você vê nesse simulador em relação aos demais?

M.C.: Sim. Desde 2008. São muitas as vantagens que vejo em relação aos outros simuladores. Algumas das vantagens são que as pistas são escaneadas a laser, o simulador tem um sistema próprio de campeonatos e licenças, não é possível criar “mods”, tem suporte e atualizações constantes, adição de conteúdos regularmente e por hoje contar com a nata do automobilismo virtual.

FFB: Se considerarmos simulação como um recorte da realidade transferida para um ambiente virtual, qual seria hoje o tamanho desse recorte? Quais elementos você considera que o iRacing hoje simula muito bem e o que ainda falta para esse recorte se tornar ainda maior?

M.C.: Acredito que este recorte de realidade transferida para o ambiente virtual ainda é muito pequeno, pois desde que iniciei, em 2005, não tivemos grandes mudanças no quesito simulação. Considero que as pistas escaneadas são o ponto forte do iRacing, pois eles conseguem levar o ambiente real ao virtual de uma maneira muito fiel. Mas no quesito física, o simulador têm muito a evoluir, bem como criar um ambiente mais dinâmico, com temperatura ambiente e de pista, emborrachamento e sujeira do traçado, chuva e diversas outras situações que enfrentamos no mundo real.

FFB: Você considera que esses anos de pratica no iRacing o ajudou a começar bem no automobilismo real? Em quais aspectos?

M.C.: Com certeza, ajudou muito. Eu posso dizer que a minha “escola” foram os simuladores. Eu não andei muito de kart como a maioria dos pilotos. Já fui direto para o Campeonato Gaúcho de Marcas, e sempre me senti muito competitivo. Outro ponto interessante é a adaptação rápida que eu tive este ano no campeonato de Mercedes, pois eu nunca tinha andado de pneu slick, e já nos primeiros treinos estava virando tempos rápidos. Acredito que isso se deva aos inúmeros carros diferentes que andamos nos simuladores. Então, quando eu saí de um carro com pneu radial, de tração dianteira, e fui para um carro de pneu slick e tração traseira, já sabia quais reações esperar. Devo tudo isso aos simuladores. E tem mais! Já entrei no autódromo com um vasto conhecimento de posicionamento e tangência de curvas, sabia distinguir qual “caminho” seria o mais rápido, como reagir a diversas situações e, principalmente, a disputar posições com os meus adversários.

FFB: O iRacing recentemente lançou os primeiros carros de circuitos mistos com o tão esperado novo modelo de pneus (New Tire Model). O que você achou? Você considera que a partir dele, agora temos uma nova realidade em termos de simulação do comportamento de um carro de corrida?

M.C.: Tenho convicção de que o simulador foi para o caminho correto, a maneira de o carro se comportar melhorou muito, apesar de terem lançado com alguns bugs, mas acredito muito no potencial do “New Tire Model”.

FFB: Recentemente, você montou algo que muitos pilotos virtuais sonham, o Triple Head. Conte-nos o quanto isso ajudou e melhorou o seu ambiente de simulação?

M.C.: Há uma melhora considerável na questão da imersão do simulador, mas com certeza não sou mais rápido depois que adquiri os 3 monitores.

FFB: Você tem uma carreira curta no automobilismo real, porém já com ótimos resultados. Quais são seus planos para os próximos anos?

M.C.: Meu plano é me profissionalizar e viver do automobilismo, independente da categoria que estiver.

Agradecemos a atenção dispensada pelo colega Márcio Campos e desejamos muito sucesso em sua promissora carreira.

Quem quiser vê-lo defendendo seu título nas pistas virtuais basta acompanhar a próxima temporada da Liga IVR, a Skip Barber Sim-Sport PRO Series.

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