A Bordo da Evolução

“Se queres assumir em pleno o teu trabalho, não te esqueças de que toda a vocação só se consegue concretizar com muita dedicação.” (Georges Bernanos)
Quando imaginava que meu destino seria a advocacia, ainda no primeiro ano de graduação em Direito, um professor do módulo de economia proferiu uma frase, que até hoje relembro como se a tivesse escutado ontem: “O mundo irá mudar nos próximos cinco anos mais do que mudou nos últimos 20”, assegurou categoricamente o meu professor economista.
Nunca me esqueci dessa frase por dois motivos: primeiro, porque achei, a princípio, uma afirmação delirante. E segundo porque, quando comecei a considerar que aquilo poderia ser verdade, fiquei aterrorizado.
Não precisei nem mesmo viver os próximos cinco anos para entender o verdadeiro sentido daquela citação e porque ele tinha absoluta razão. Basta olharmos sob a ótica do avanço tecnológico e o quanto isso interfere na vida das pessoas.
Ah! Claro que existem aqueles que insistem em resistir a toda essa parafernália eletrônica que invade o nosso espaço diariamente, mas quantas pessoas ou empresas que você conhece têm progredido resistindo a tudo isso, e quantas você reconhece que estão muito bem justamente porque se adaptaram rapidamente a esse inevitável mundo novo? Coloque na balança e reflita.
Não estou aqui para defender a posição dos nerds “fundamentalistas”, mas há muito tempo aprendi a não resistir ao atraso. A história demonstra que você pode e deve combater às guerras, à corrupção, à violência, ao descaso etc. Contudo, jamais tente desafiar uma nova Era. As sociedades que se arriscaram viraram ruínas, amargaram a miséria, sucumbiram, viraram pó.
E foi justamente esse avanço tecnológico das últimas duas décadas quem nos trouxe os simuladores. Com eles, surgiu a possibilidade de viver, virtualmente, um pouco de algumas coisas da vida sem estar realmente lá, ou antecipar uma parte daquilo que ainda está por vir. No automobilismo, cada dia mais o uso dos simuladores se torna essencial, sobretudo com a limitação dos testes e a necessidade da redução de custos.
A Fórmula 1, categoria que convive sob a acusação de abusar do uso da tecnologia, já não é de hoje que assiste suas equipes utilizando os simuladores para o aperfeiçoamento dos seus carros. E, nos últimos anos, veem aproveitando cada vez mais esse legado tecnológico para o aprimoramento dos seus pilotos.
No avassalador ano de estreia de Lewis Hamilton, o discurso ufanista de jornalistas e torcedores, além da ausência de racionalidade ao proferir uma opinião entraram de cabeça no mundo do automobilismo. Enquanto alguns diziam que ali se apresentava um novo gênio, outros afirmavam terminantemente que ele só estreara bem porque estava a bordo de um bom carro. Enquanto isso, o jovem inglês trabalhava forte. Com o simulador da equipe, dava mais de três mil voltas em cada pista antes de chegar o dia de realmente ir para ela. Gênio, sortudo ou inteligente?
Você se lembra de quantas vezes ouviu de pilotos novatos, inclusive brasileiros, a queixa de não conhecer bem uma pista? Agora, faça uma forcinha para lembrar-se de quantas vezes ouviu isso de Hamilton no seu ano de estreia ou quando um novo circuito entrou para o calendário da categoria nos últimos anos.
É claro que o simulador não traz ao piloto real o preparo perfeito, mas entre aquele que prefere permanecer no mundo da soberba durante o período sem competições e aquele que se dedica seriamente ao treino em simuladores, eu não tenho dúvidas de quem vai tirar aquele décimo de segundo na curva mais desafiadora do circuito.
Por que será que há vários anos as empresas de aviação exigem um mínimo de horas dos seus pilotos no simulador regularmente? Será que é para deixá-los mais entretidos e com bom humor?
Cada dia mais nos deparamos com pilotos profissionais nos simuladores online. Aliam, assim, diversão e trabalho, aumentam seus repertórios de déjà vus e avaliam alguns limites que, na vida real, talvez jamais conhecessem.
E até onde a simulação online poderá chegar?
Viajaremos juntos no próximo artigo.
















Pode parecer piegas o comentário, mas que delícia de leitura. Consigo imaginar até um vídeo e trilha sonora.
Ótimo texto, Bruno. É exatamente esse meu pensamento em relação aos simuladores. Neles, busco o treino mental, o reflexo, a fixação da prática de guiar algo. O simulador, seja qual for, que é disponibilizado ao público nunca é tão perfeito e técnico como são os das grandes equipes de corridas. Mas traz todas as ferramentas necessárias para que você treine o básico do piloto, que é pilotar um carro veloz, sendo veloz, com concentração e reflexo para ser constante e manter o carro seguro. E a base é tudo, sempre.
Irei compartilhar o texto, pois quero que mais pessoas entendam o meu “hobby”. Não entrei no iRacing para me desestressar, entrei pois é a única forma barata de competir contra o mundo inteiro, e me preparar para um sonho que mesmo com 25 anos, ainda almejo.
Espero o próximo texto inspirador e às vezes, consolador. Abraços!
Lembrou bem a questão dos simuladores para a aviação. Meu cunhado já havia comentado que horas de simulador contam no currículo de quem quer ser um piloto comercial. Cada vez mais pipocam notícias sobre pilotos de automobilismo adotando os simuladores.
Demorou jota, pegue aquelas horas que vc costuma usar pra dormir um pouco e faz ae, garanto que vai ser um sucesso esse vidoblog!!!
Grande Bruno, sempre produzindo grandes textos, esse jornalismo que dá gosto de acompanhar. Fiquei mais feliz ainda porque vi que você aproveitou uma das minhas dicas. Grande abraço.
faço minhas as palavras do primeiro comentário (o do Jota), é exatamente isso!!!
parabéns alien, quer dizer, Bruno! =D